EJA celebra o dia nacional do estudante

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“Eu já conheço as letras e, aos poucos, vou juntando até formar as palavras… Eu vou vencer”, disse.

Hoje, 11 de agosto, celebramos o Dia Nacional do Estudante, pois nessa data, em 1827, instituía-se no Brasil os primeiros cursos de nível superior: ciência jurídica e ciência social.

A educação contribui com a formação das pessoas, em todas as fases da vida, dando oportunidades, por meio do conhecimento, para que se tornem pessoas compromissadas e qualificadas para atuarem no social e profissional.

Nascida em São Felix do Xingú, sudoeste do Pará, a moradora do bairro Nova União, Ângela Maria Lopes da Silva, de 63 anos, não sabia ler e escrever quando veio morar no município de Marituba, região metropolitana da capital Belém. Passou seis décadas envergonhada por não saber assinar o próprio nome, até que em 2020 com o objetivo de contribuir com a alfabetização do neto Marcos Vinicius, de 12 anos, se propôs iniciar os estudos, assim ganharia de duas formas: aprendendo e ensinando.

“Eu já conheço as letras e, aos poucos, vou juntando até formar as palavras. A minha maior alegria foi quando consegui escrever, pela primeira vez, o meu nome. O meu neto me ajuda e me motiva, e assim me esforço todos os dias porque meu desejo também é ajuda-lo com os estudos, e para isso preciso estudar. Eu vou vencer”, disse.

Avó e Neto são alunos da escola municipal Otília Begot. Ângela da Silva, está na 1ª etapa da educação de jovens e adultos (EJA) e Marcos Vinicius cursa o 7° ano do ensino fundamental.

A Educação de Jovens e Adultos é uma modalidade de ensino para pessoas a partir dos 15 anos não alfabetizados e/ou não concluintes do ensino fundamental e médio.

A história da estudante Ângela da Silva é igual a de milhares de histórias de brasileiros que tentam iniciar o que nunca tiveram ou recomeçar de onde pararam, a exemplo do seu professor Antônio da Costa, que após 20 anos longe dos estudos foi aluno da EJA, formou- se em licenciatura em História e hoje ministra aula na rede municipal de ensino de Marituba para jovens e adultos dessa modalidade de ensino.

Atualmente o professor Antônio da Costa cursa Licenciatura em Pedagogia

“Constituí família muito cedo e fiquei vinte anos afastado de sala de aula. Com os meus filhos crescidos eu consegui retornar e cursar uma faculdade. Hoje trabalho no município dando aula, o que me deixa muito feliz. Todos os dias, pensando, a partir do meu exemplo, luto com os meus alunos para que eles se mantenham firmes nos estudos porque esse é o melhor caminho”, disse.

Dos 24.473 alunos da rede municipal de ensino de Marituba, 1.910 são da Educação de Jovens e Adultos, segundo dados parciais do censo escolar que serão atualizados no próximo mês de setembro. Desse quantitativo, 246 alunos estão matriculados na 1ª etapa: 1°, 2° e 3° ano; 273 alunos estão matriculados na 2ª etapa: 4° e 5° ano; 553 alunos estão matriculados na 3ª etapa: 6° e 7° ano e 838 alunos estão matriculados na 4ª etapa: 8° e 9° ano, distribuídos em 18 escolas municipais: Dona Mora Guimaraes, Gracinda Peres, Maria do Carmo, Parque das Palmeiras, Paulo Freire, Santa Lúcia, Maria de Fátima, Nossa Senhora do Rosário, Santo Amaro, Suely Falcão, Cora Tereza, Joao Milton Dantas, Otília Begot, Dom Calábria, Renausto Amanajás, Emília Clara, Santa Rita e Dr Alcântara.

Uma das maiores dificuldades de alguns alunos da EJA, é o cansaço. Diariamente gestores, docentes, coordenação pedagógica e demais servidores da educação pública de Marituba trabalham para que esses alunos não desistam e concluam todas as etapas dessa modalidade de ensino.

O sonho de 1.910 estudantes da EJA de Marituba é coletivo pois envolve e comove suas famílias, seus amigos e seus vizinhos que aguardam para celebrar a conclusão de cada etapa. A educação requer sempre ser celebrada. Este dia é para celebrar. O sonho não acabou.

 

Texto: Ascom Semed

Fotos: Paulo de Sousa

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