O município de Marituba implantou, de forma pioneira, desde 2022, um projeto de sustentabilidade baseado no uso de biodigestores em escolas da rede municipal. A iniciativa alia tecnologia, educação e participação comunitária, promovendo práticas sustentáveis de forma permanente no cotidiano escolar.

De acordo com a professora Iramar Alves, coordenadora do Departamento de Educação Ambiental, o município recebeu 13 biodigestores, distribuídos em 11 unidades escolares, incluindo uma creche. O diferencial do projeto está no seu caráter contínuo e integral, já que os equipamentos permanecem nas escolas e funcionam como ferramentas pedagógicas permanentes, integradas à rotina educacional.

O funcionamento dos biodigestores envolve toda a comunidade escolar. As manipuladoras de alimentos realizam a separação de resíduos orgânicos, como cascas de frutas e legumes, enquanto os alunos seguem um cronograma para alimentar o equipamento. O processo consiste no depósito dos resíduos — sem itens cítricos, sal ou restos de comida, para evitar odores — juntamente com água, em uma estrutura de lona náutica preta que absorve calor e possibilita a geração de biogás e biofertilizante.
A aplicação pedagógica do projeto se adapta às diferentes etapas de ensino. Na educação infantil, o biodigestor é apresentado de forma lúdica, como uma “barriguinha” que precisa ser alimentada para, em troca, produzir gás e adubo. No ensino fundamental, os alunos passam a compreender, de forma mais crítica, a importância do reaproveitamento de resíduos e da sustentabilidade ambiental.

Para o professor Frank Galvão, docente da área de Projetos e Sustentabilidade, a iniciativa fortalece o processo de aprendizagem ao aproximar teoria e prática. “A escola foi beneficiada com esse equipamento, que tem sido muito útil para a nossa metodologia. Trabalhamos a parte teórica em sala de aula e trazemos os alunos para a prática. Eles participam diretamente do processo e acompanham todo o ciclo sustentável”, explica.

Segundo o professor, o projeto está integrado a outras ações desenvolvidas na unidade escolar, como a horta, o biodigestor e o projeto de quintais produtivos, voltado à implantação de áreas sustentáveis com árvores frutíferas da Amazônia.

“Estamos implementando espécies como açaí, cupuaçu e mamão. O biofertilizante produzido é utilizado tanto na horta quanto na fertilização dessas frutíferas”, destacou.
O envolvimento dos estudantes acontece de forma didática e participativa. Eles levam os resíduos orgânicos, acompanham a alimentação do biodigestor e entendem como o processo gera tanto o gás quanto o fertilizante.
“Os alunos não ficam presos só na sala de aula. Eles vêm para o campo, fazem visitas técnicas, observam como o gás é utilizado na cozinha da escola e aprendem na prática como o material se transforma em energia e adubo”, completa o professor.

Essa vivência prática tem impacto direto na formação ambiental dos estudantes, como relata o aluno Luiz Miguel Costa Maia, de 14 anos, estudante do 8º ano do ensino fundamental.
“Acho muito importante reaproveitar coisas que iriam para o lixo ou para a rua e transformar em algo útil. Eu tento fazer minha parte, evitando gastar demais e separando o lixo em casa”, afirma.

Luiz Miguel conta que teve contato com a tecnologia em um projeto de robótica voltado à agricultura, Ele também relata práticas sustentáveis adotadas em sua rotina familiar.
“Quando quebra algum vidro em casa, eu coloco numa caixa, fecho com fita e escrevo um aviso, para não machucar quem vai recolher. Também já fiz, com meus pais, experiências que aprendi na internet, como produzir gás caseiro e sabão em pó usando óleo de cozinha que seria jogado fora”, relata.

Além do ambiente escolar, o projeto também beneficia a comunidade local, que pode trocar resíduos orgânicos pelo biofertilizante produzido. A ação contribui para a redução do volume de resíduos enviados ao aterro sanitário, transformando toneladas de material orgânico em energia limpa e nutrientes para o solo.
A importância do projeto também se reflete na rotina pedagógica e alimentar da Escola Municipal Paulo Freire, que funciona em regime de tempo integral. A gestora Rita Jacob destaca que a unidade atende atualmente 142 alunos, com uma programação que garante não apenas ensino, mas também segurança alimentar ao longo do dia.

“Os alunos entram às sete da manhã e já recebem o café. Às 9h45 têm um lanche, geralmente uma fruta ou um suco; ao meio-dia é servido o almoço e, antes de irem embora, às 13h45, eles recebem mais um lanche”, explica.
Segundo a gestora, parte dos estudantes permanece na escola até às 18 horas, participando de projetos que ampliam o processo educativo para além da sala de aula.

“Temos projetos de sustentabilidade, robótica, futsal, vôlei, vôlei de areia, entre outras atividades que a escola contempla. Tudo isso contribui para a formação integral dos nossos alunos”, afirma.
O projeto integrar educação ambiental, alimentação escolar e projetos pedagógicos contínuos promovendo consciência ambiental e impacta positivamente a vida dos estudantes, das famílias e da comunidade.
Secretaria de Comunicação de Marituba
Fotos: Rafael Victor Fernandes




