A prefeita de Marituba, Patrícia Alencar, participou do painel “Governança Climática Multinível: Caminho global-local de financiamento para justiça climática nos territórios”, realizado na tarde desta quinta-feira (13), na Green Zone da COP30, em Belém. O encontro reuniu gestores públicos, especialistas e instituições nacionais e internacionais para discutir estratégias de financiamento, participação social e fortalecimento institucional voltadas à agenda climática.
Convidada pela Associação Brasileira de Municípios (ABM), a prefeita apresentou a experiência de Marituba e enfatizou os desafios enfrentados pelos municípios pequenos e médios da Amazônia, especialmente diante dos impactos ambientais e da dificuldade de acessar recursos para políticas de adaptação e mitigação.

Segundo Patrícia Alencar, os efeitos das mudanças climáticas são percebidos primeiro na gestão municipal, diretamente no cotidiano da população. “Nós estamos lá na ponta, ouvindo nosso povo diariamente. É nas visitas às periferias que vemos a gravidade mais rápido: igarapés poluídos, calor excessivo, falta de água”, afirmou. Para ela, trazer essas pautas à COP30 é fundamental: “Viemos para cá com esperança de uma construção conjunta, para enxergar um norte e conseguir executar o que for debatido, levando as soluções para nossos municípios.”
A prefeita destacou que a participação de Marituba na COP30 foi construída a partir do alinhamento ao Plano Estadual de Mudanças Climáticas. Durante o painel, ela apresentou três eixos considerados prioritários para o município.
O primeiro é a governança multinível com participação social, fortalecida pela integração entre governos federal, estadual e municipal, sociedade civil, juventudes, mulheres e instituições parceiras. “Nossa governança multinível envolve sociedade civil, juventudes, mulheres, governo federal, estadual, municipal e a ABM. É essa união que permite criar políticas públicas reais e buscar soluções concretas”, explicou.
O segundo eixo é o fortalecimento da capacidade institucional. Patrícia destacou que muitos municípios amazônicos não possuem equipes técnicas capazes de formular projetos para captar recursos nacionais e internacionais. Para enfrentar esse desafio, Marituba firmou cooperação com universidades estaduais e federais, garantindo capacitação e suporte técnico para avançar na agenda climática.

O terceiro eixo é o financiamento climático, considerado por ela um ponto crítico. Patrícia lembrou que, dos 144 municípios do Pará, apenas 10% têm autonomia financeira. “Mais de 90% têm recursos apenas para o básico: folha de pagamento, remédios, educação. Não sobra para investir em sustentabilidade”, alertou.
A prefeita defendeu que a COP30 e as instituições presentes ampliem mecanismos de apoio voltados especificamente para os municípios amazônicos. “Precisamos que essas políticas cheguem na ponta. Só assim vamos conseguir planejar, financiar e executar ações que mudem a vida da população”, concluiu.
Secretaria de Comunicação de Marituba




