O município de Marituba realizou, na tarde da quarta-feira (29), a segunda roda de conversa em alusão ao Dia da Visibilidade Trans. O evento promoveu o debate sobre os desafios e conquistas da população trans no município e na sociedade.

A roda de conversa foi um espaço para troca de experiências e reflexões sobre a inclusão, o respeito e os direitos dessa população. Participaram do evento representantes do poder público, movimentos sociais, ativistas e a comunidade em geral. A iniciativa reforçou a importância da conscientização e da luta por igualdade e dignidade para as pessoas trans.
A programação contou com relatos de vivências, palestras e debates sobre políticas públicas voltadas à população LGBTQIAP+. Além disso, foram discutidas estratégias para ampliar o acesso a serviços de saúde, educação e empregabilidade para pessoas trans e travestis.

Uma das participantes da roda de conversa foi Sol Souza, professora de arte no município de Marituba há quatro anos. Em seu depoimento, ela destacou a importância de eventos como esse. “Há 17 anos, o Brasil é o país que mais mata pessoas trans no mundo. Eventos de visibilidade estão aqui para quebrar paradigmas, quebrar estereótipos, para que as pessoas passem a nos humanizar e nos respeitar”, afirmou.
“O município precisa de ações afirmativas, de amparo para essas pessoas. Sou professora de três escolas e nenhuma delas tem alunas trans. Isso acontece porque há um índice de violência dentro das escolas muito grande. Para combater isso, precisamos de educação e empregabilidade para pessoas trans. Esse é o primeiro passo”, ressaltou a professora.

Outro participante importante do evento foi Rai Carlos Coelho Durans, 2º homem trans do Brasil e o 1º do município de Marituba, que representou ativamente a resistência política durante a Ditadura Militar na luta pelos direitos humanos. Rai também foi responsável por elevar a política de saúde integral LGBTQIA+, com ênfase para pessoas trans, a um elevado patamar no município.
Em sua fala, Rai destacou a relevância do compromisso governamental com a população LGBTQIA+. “Quando o poder público se preocupa com a população tão descriminada e tão violentada que a nossa LGBTQIA+, notadamente a trans, isso é um sinal de que aquele governo tem interesse em resolver as questões estruturantes da sociedade, incluindo todos de forma democrática, sem nenhuma diferença”, destacou.
Sobre sua trajetória e a evolução do cenário para pessoas trans no Brasil, Rai refletiu: “Eu sou homem trans desde que me entendo como pessoa, fui uma criança transgênero, e posso lhe dizer que nós estamos vivendo talvez o melhor momento da história das pessoas LGBTs, no Brasil e no mundo. Porque nós nos organizamos, estamos enfrentando a violência e pactuando com os governos. De forma democrática e de forma cidadã as nossas questões, as políticas públicas, sobretudo a de empregabilidade.”

Manuelly Arcânjo, 18 anos, foi a terceira convidada do evento, para ela as pessoas ainda confundem a transexualidade, levando tudo para um contexto sexual. “Geralmente as pessoas não sabem nem o que significa uma pessoa trans, geralmente levam tudo pra parte sexual, sexualidade e identidade de gênero são duas coisas totalmente, completamente diferentes. Eu tenho amigos que perguntam, se confundem, aí eu sempre tento explicar. Daí a importância da visibilidade, para promover respeito e levar dignidade a todas as população trans”, concluiu.
Números da Violência
No ano passado, 105 pessoas trans foram mortas no Brasil. Apesar de o país ter registrado 14 casos a menos que em 2023, segue, pelo 17º ano consecutivo, como o que mais mata pessoas trans no mundo.
Os dados são do Dossiê: Registro Nacional de Mortes de Pessoas Trans no Brasil em 2024, da Rede Trans Brasil.
O estudo revela que a maioria das vítimas eram mulheres trans ou travestis, sendo que 36,8% tinham entre 26 e 35 anos. A maior parte dos assassinatos ocorreu na Região Nordeste, e os estados de São Paulo, Minas Gerais e Ceará registraram o maior número de casos.
Da Redação Comus
Fotos: Ary Brito




