O município de Marituba vive um momento histórico nos dias 16 e 17 de julho com a realização da 1ª Conferência Municipal de Promoção da Igualdade Racial (COMPIR). O evento, realizado no auditório da Emater, na BR-316, reuniu representantes do poder público, movimentos sociais, organizações da sociedade civil, lideranças religiosas e ativistas para debater, propor e construir políticas públicas voltadas à equidade racial no município.

Convocada pelo Decreto Municipal nº 486/2025, a conferência integrou o calendário da 5ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CONAPIR), iniciativa do Governo Federal que busca fortalecer o Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (SINAPIR).
Pela primeira vez em seus 31 anos de existência, Marituba mobilizou diferentes segmentos sociais para debater o enfrentamento ao racismo e à desigualdade estrutural de forma institucionalizada e com representatividade.

A conferência tem como tema “Igualdade e Democracia: Reparação e Justiça Racial” e foi marcada por momentos simbólicos, como a fala de Bruna Ítala Ferreira, presidenta da Organização Social Civil Negro Zoom. Travesti, negra, artista e professora de Língua Portuguesa e Literatura, Bruna emocionou o público ao destacar a importância de sua presença naquele espaço. “É elegante que um corpo negro e travesti esteja diante de tantas pessoas”, disse, ao saudar a mesa e os presentes. “A gente saúda que vocês reconheçam a importância dessa política que, em 31 anos de Marituba, nunca foi implementada. Diante disso, aproveito para saudar os passos — que eu acho que é inclusive um eixo muito importante de ser discutido.”

Outro momento de forte emoção foi protagonizado por Mãe Raizô Eré, Yá Llorixá e militante histórica dos povos de terreiro da cidade. Ao lado de outros representantes de religiões de matriz africana, ela ressaltou o simbolismo de finalmente ocupar um espaço de diálogo com o poder público.
“Foi uma luta inconstante. Diante de todas as políticas, essa política que está acontecendo hoje é muito gratificante para nós. Estamos aqui para fazermos a nossa religião funcionar dentro de Marituba”, afirmou.

A programação inclue palestras, debates em grupo e uma plenária final onde serão aprovadas as propostas elaboradas durante os dois dias de conferência. Também serão eleitos os delegados e delegadas que representarão o município na etapa estadual e definidos os representantes da sociedade civil para compor o 1º Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial, cuja criação está prevista na Lei nº 459/2019. O conselho será formado por 14 membros titulares e seus respectivos suplentes, com representação paritária entre poder público e sociedade civil.
Com a realização da COMPIR, Marituba dá um passo importante rumo ao reconhecimento das diversidades étnico-raciais que compõem sua história e à construção de políticas permanentes de combate ao racismo. Mais que um evento, a conferência foi um marco de reparação simbólica e política, e abriu caminhos para que os movimentos negros, indígenas, quilombolas, de matriz africana, juventudes, mulheres e LGBTQIA+ tenham voz ativa na construção de uma cidade mais justa, plural e democrática.
Secretaria de Comunicação de Marituba
Fotos: Rafael Victor Fernandes




