O dia 19 de agosto passou a ser oficialmente o Dia da Luta da População em Situação de Rua, uma data nacional criada para dar visibilidade à realidade, às necessidades e, principalmente, aos direitos das pessoas que vivem ou já viveram em situação de rua.
Instituída pela Lei nº 15.187, sancionada em 4 de agosto de 2025, a data faz referência ao chamado Massacre da Sé, uma série de ataques violentos contra pessoas em situação de rua, em São Paulo, entre os dias 19 e 22 de agosto de 2004. O episódio deixou sete pessoas mortas e outras seis com sequelas permanentes.

A data, no entanto, também representa a oportunidade de falar sobre vida, recomeço e possibilidades. Em Marituba, a história de Paulo Costa, hoje assistente social do Consultório na Rua, mostra como uma pessoa que um dia precisou de acolhimento pode transformar a própria experiência em propósito para ajudar outras pessoas.
Paulo tinha entre 12 e 13 anos quando foi parar nas ruas. Ainda criança, enfrentou uma realidade difícil. “Naquela época, nós éramos chamados de mendigo. Dormíamos e acordávamos na rua sem ter carinho e apoio de ninguém. Viver na rua é uma luta diária. Você luta contra a ansiedade. Você recebe olhares todos os dias, mas as pessoas não te enxergam”, relembra.
A experiência deixou marcas, mas também fortaleceu em Paulo a esperança de que aquela situação não seria definitiva. “Eu era uma criança que passou por diversas situações na rua, mas eu nunca matei, nunca roubei, nunca fiz mal a ninguém. Eu só buscava sair daquela situação”, afirma.

O momento de mudança chegou por meio do trabalho de uma assistente social que se aproximou e perguntou se ele queria ajuda. A resposta resume anos de espera por alguém que pudesse enxergá-lo para além da situação de rua: “Tô esperando por isso há três anos.”
A partir daquele encontro, começou uma nova etapa. Paulo voltou a estudar, fez cursos e, com o apoio recebido, conseguiu construir uma nova trajetória. “Hoje, eu sou formado como assistente social do Consultório na Rua, dando apoio e acolhimento para pessoas que vivem a mesma realidade que um dia eu vivi”, afirma.
Hoje, como assistente social do Consultório na Rua de Marituba, Paulo atua ao lado de uma equipe multiprofissional que percorre o município levando atendimento e cuidado em saúde para pessoas em situação de vulnerabilidade.

O Consultório na Rua é uma estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS) voltada à ampliação do acesso à saúde para a população em situação de rua e outras pessoas em condição de vulnerabilidade. Em Marituba, o serviço atua de forma itinerante, percorrendo todo o território do município para levar atendimento diretamente aos locais onde estão os usuários.
Em três anos de atuação no município, o Consultório na Rua já contabiliza mais de 6 mil atendimentos realizados. O serviço oferece consultas, testes rápidos, orientações em saúde, encaminhamentos para especialistas, atendimento odontológico, acompanhamento em saúde mental, distribuição de medicamentos e articulação com outros serviços da rede municipal.
Secretaria de Comunicação de Marituba
Fotos: Ary Brito e Divulgação




