Marituba comemora no próximo domingo (12), o Círio de Nossa Senhora de Nazaré, que ocorre há pelo menos 81 anos, sendo uma tradição da fé, da cultura e da religiosidade local. O início da procissão será às 07h30, com a realização de uma missa na Paróquia de Nossa Senhora de Lourdes, localizada na rua Assis Dória, 1157, Bairro Pedreirinha.
O Círio irá percorrer as principais ruas em direção a Paróquia de Nossa Senhora de Nazaré, localizada na avenida João Paulo II, no bairro de Dom Aristides. No sábado, a partir das 18h30, será realizada a procissão da Trasladação, após a Benção das Velas e a reza de um terço com saída da Paróquia de Nossa Senhora de Nazaré.
História – Remanescente direta da ex-Colônia dos hansenianos de Marituba, a procissão se constitui na mais importante manifestação católica do Município de Marituba, juntamente com a procissão do Menino Deus.

A primeira procissão, segundo documentos históricos, foi realizada em 1942 somente pelos internos da colônia que eram impedidos de sair do local para participar do Círio de Nossa Senhora de Nazaré na capital.
Percebendo a força da fé dos internos, a Igreja Católica realizou a primeira procissão com a presença de sacerdotes da Igreja Católica somente no ano seguinte, em 1943, passando a assumir a responsabilidade pela transladação da imagem.
A realização da procissão foi uma tentativa de replicar a procissão da capital para dentro da Colônia. Os primeiros Círios utilizavam a corda de isolamento da berlinda com os convidados especiais no centro, a imagem da Santa católica, uma banda de música tocando os hinos religiosos, as comidas típicas e o arraial de Nazaré, tudo sob a coordenação de uma diretoria escolhida entre os internos.

Como alternativa, o Círio da Colônia ficou estipulado que a procissão seria realizada todo segundo domingo de novembro, tradição essa que se mantém até os dias atuais.
Para Edmilson Picanço, que nasceu na antiga Colônia e ainda mora no bairro de Dom Aristides, que foi formado após a abertura da instituição, o Círio traz uma grande importância histórica por ter sido criado pelos próprios ex-pacientes.
Edmilson é coordenador em Marituba do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan), e todos os anos ele reúne os integrantes do movimento para juntos realizarem uma homenagem quando a procissão passa na porta de sua casa.
” O Círio de Nossa Senhora de Nazaré nos remete ao passado e as lembranças nos emociona todos os anos. É um Círio muito esperado e comemoramos com muita festa”, destacou.

Antes também havia transladação da imagem, que era realizada há noite, na véspera do Círio. O cortejo saia da então Capela de Nossa Senhora de Nazaré (hoje Paróquia de Nossa Senhora de Nazaré) para a Capela Mortuária, próxima ao antigo Cemitério da Colônia.
No dia seguinte fazia-se o caminho inverso, trazendo-a de volta para o chamado Cassino, local de festejos e brincadeiras dos internos, onde hoje foi erguido o prédio da Câmara Municipal de Marituba.
Após a abertura da Colônia, na década de 1980, a procissão mudou o trajeto original, saindo, ou da Igreja Nossa Senhora de Lourdes, na comunidade Betânia, no Bairro da Pedreirinha, ou da Igreja D. Calábria, localizada no bairro São Francisco. O local de chegada é sempre a Igreja Nossa Senhora de Nazaré, onde fica guardada a imagem durante o ano todo.
Siga a programação da festividade:
Da Redação Comus
Com informações de:
BAÚ DE MEMÓRIAS: O LEPROSÁRIO DE MARITUBA/PA EM MEIO A
RECORDAÇÕES DE UMA EX-INTERNA (1940-1970)
Moisés Levy Pinto CRISTO
Universidade do Estado do Pará
Gercina Ferreira da SILVA
Universidade do Estado do Pará
Maria do Perpétuo Socorro Gomes Avelino de FRANÇA
Universidade do Estado do Pará










